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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sobre o sentimento de fracasso vivido pelas mães (texto de Rosely Sayão no Folha de S.P.)

Fonte
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1236696-sentimento-de-fracasso.shtml

Sentimento de fracasso

Há algum tempo tenho percebido que diversas mães se declaram incompetentes diante de sua tarefa de educar os filhos. Há também as que se sentem fracassadas quando percebem que o que elas almejavam para os filhos não se concretizou.
Claro que há pais que se sentem da mesma maneira, mas minha experiência aponta um número maior de mulheres sofrendo com esses sentimentos.
Há uma tendência social de se avaliar a mulher pelo êxito do seu filho, isso desde a mais tenra idade.
O filho andou precocemente? Já escreve e identifica o próprio nome escrito em letras aos três anos? Desenha como um artista? É um dos primeiros alunos da classe? Tem destaque na escolinha de futebol? Entrou na faculdade considerada top?
Ah! Mães com filhos que realizam tais feitos costumam ser avaliadas como boas mães. Elas souberam o que fazer e como fazer para que os filhos atingissem tais feitos costumam considerar as pessoas com quem essas mães convivem.
Já se o filho não fala corretamente, faz birra em público, não gosta de estudar, dá trabalho para comer, repete o ano escolar e é desobediente, coitadas dessas mães! Não sabem como exercer bem o seu papel, pensam outras pessoas, sem disfarçar os olhares reprovadores. E, então, indicam profissionais para acompanhamento da criança, literatura especializada, revistas e programas de TV que certamente irão ajudar a pobre mãe. Até a escola costuma fazer orientações para pais.
Você deve ter percebido, caro leitor, que ser mãe ou pai na atualidade ganhou um caráter quase profissional.
Há uma infinidade de recursos disponíveis, hoje, para mulheres e homens que queiram realizar bem sua tarefa com os filhos. Não estranharei se, em breve, for criado um curso de pós-graduação lato sensu sobre educação de filhos.
Sim, porque até agora os cursos tratam de alunos, papel social muito diferente do de filhos, não é?
Dá, portanto, para começar a entender o sentimento dessas mães. Elas não se sentem especialistas em maternidade. E perseguem o tempo todo uma fórmula para dar conta do que acham que precisam dar conta.
O que elas esquecem nessa empreitada é que os filhos ficam diferentes a cada dia. E é justamente por isso que a maioria das atitudes que tomam com as crianças ou os adolescentes tem eficácia de curto tempo. E elas pensam que o que fizeram não deu certo. Deu, mas apenas por pouco tempo.
Se as mães e os pais escutarem atentamente os filhos e tiverem com eles um vínculo de proximidade, irão perceber a hora de mudar de estratégia. Eles, os filhos, dão os sinais.
Outra coisa que mães e pais precisam considerar é que as crianças do século 21 não seguem mais padrões de desenvolvimento. Cada um vive em um ambiente específico, tem um tipo de relação com os pais e, por isso, serão bem diferentes de seus pares de mesma idade. Comparar os filhos no mundo da diversidade não é, com certeza, uma boa escolha!
Mães e pais não devem se sentir fracassados ou incompetentes, pois os filhos precisam justamente do sentimento de potência que os adultos demonstram. Mães e pais não costumam fracassar: costumam errar. E não há nenhum problema em errar: os filhos superam nossos erros com mais facilidade do que nós.
E tem mais: não há certo ou errado quando o assunto é a educação dos filhos. Há princípios, há valores, há a moral familiar e social, há o bem conviver, o respeito e a dignidade. E há estratégias que funcionam por um tempo e estratégias que não funcionam, apenas isso.
Os sentimentos de fracasso e de incompetência podem inibir o exercício da maternidade e da paternidade.
Mais importantes que qualquer conhecimento específico são os afetos porque são eles que conduzem os pais.
Rosely Sayão Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de "Equilíbrio".

Mães empreendedoras cuidam de outras mães no pós-parto

Fonte
http://empreendedorismomaterno.blogspot.com.br/2013/02/especial-maes-empreendedoras-cuidam-de.html

ESPECIAL: Mães empreendedoras cuidam de outras mães no pós-parto

Toda mãe passa pelo complexo período do pós-parto. Chamado genericamente assim, este é um momento único na vida de cada mulher. Isso porque cada uma tem uma trajetória, uma história de vida própria, um filho que é único (mesmo que seja o segundo ou o terceiro) e que acontece em um contexto também único da vida das pessoas envolvidas, da família e também da sociedade.

São múltiplos os fatores (sociais, emocionais, físicos, familiares e etc) envolvidos no processo que se chama de pós-parto. Por isso, cada uma e todas as mães deveriam ter uma atenção especial de familiares, amigos e companheiros(as) neste momento.

Pensando nisso, mulheres que são mães e já passaram por este momento criaram produtos e serviços para atender e acolher mães neste momento tão delicado. Vamos conhecer um pouco sobre o trabalho de Priscila Castanho, da Abraço Materno; Rosangela Alves, da Sampa Sling; Tatiana Tardioli, da Dança Materna; Isadora Canto, do Projeto Acalanto; Ligia de Sica, da Bebechila; e Cris Toledano, psicóloga e coordenadora de grupos de apoio ao pós-parto.

Priscila, da Abraço Materno

“Uma mãe acolhida, cuidada, ouvida e acariciada é com certeza a melhor forma de viver uma maternidade feliz e plena. E isso reflete diretamente nos cuidados com o bebê, seu crescimento e desenvolvimento”, afirma Priscila Castanho, da Abraço Materno. A empresa oferece massagens em gestantes, no pós-parto e dá cursos de Shantala, a massagem para bebês. Além disso, Priscila atende como doula pós-parto.

Rosângela, da Sampa Sling
Rosangela Alves, da Sampa Sling costuma visitar e receber visitas de mães e pais recentes nas consultorias que oferece em sistema de plantão ou nas Slingadas, onde apoia pais, mães e cuidadores a promoverem o uso correto dos carregadores de bebês. “É um período tão complexo, que tudo está misturado. As famílias chegam até mim procurando ajuda com o sling e terminamos falando de amamentação, relacionamentos, intervenções familiares, modos de cuidar, higiene do bebê e tudo mais que você possa imaginar”, conta.

Tatiana, da Dança Materna
Transformação e solidão

Com uma coisa todas concordam: trata-se de um período muito especial e, em geral, rondado por medos, angústias e inseguranças. “Esta é uma fase muito peculiar da vida, onde há uma grande quebra do que era a vida que a mulher tinha antes de ter o bebê, a imagem que tinha dela mesma, em relação ao momento presente, que exige dedicação total ao pequeno e um contato extremo com ela mesma, que muitas vezes leva à revisão de seus conceitos e crenças. Isto pode ser muito transformador se tomado como uma grande oportunidade de autoconhecimento, mas pode também ser um terreno muito árduo de se transitar se ela ficar muito sozinha. Nem sempre há pessoas próximas com disponibilidade de tempo para apoiar a mulher nesta fase da vida”, afirma Tatiana Tardioli, idealizadora da Dança Materna.

Para ela, por mais que a família e os amigos mais próximos queiram estar presentes, estão “no tempo do mundo, do dia a dia corrido”, enquanto a  mulher experimenta no pós-parto uma outra relação com o tempo, os espaços que antes frequentava e mesmo com as pessoas. “Precisa conviver com outras mães recentes e compartilhar experiências. Ser acolhida em suas dúvidas, medos, alegrias, variações de humor e tudo o mais que vem nesse período que dura muito mais do que os 40 dias "oficiais". É importante para que ela possa ser reinserida na vida social, e se sinta apoiada, compreendida e acolhida e que viva estes  primeiros tempos com o bebê inteiramente em toda sua intensidade. Se ela tiver o apoio do marido nesse sentido, será de fundamental importância”, afirma Tatiana.

Mães: uma tribo

A psicóloga argentina Laura Gutman afirma esta necessidade: de as mães estarem em grupo, para compartilhar experiências e se apoiarem: “Nenhuma mãe deveria estar sozinha com um filho pequeno nos braços. A espécie humana foi desenhada para andar em manadas, em tribos. Nós, mães modernas, precisamos organizar uma tribo que nos apoie e ofereça companhia e compreensão”, disse ela em entrevista o site Mamatraca.

A psicóloga paulistana Cris Toledano, desde 2008, organiza grupos com esta intenção. O grupo de encontro e acolhimento de mulheres no pós parto é um grupo de mulheres que acabaram de experimentar a chegada do seu bebê. “A troca, neste momento intenso e cheio de novidades, além de rica é reconfortante; ajuda a apaziguar a solidão, as dúvidas, os medos e anseios tão comuns neste momento da vida”, afirma ela em seu blog.

Isadora Canto, do Projeto Acalanto
Troca e vínculo

Para Tatiana, estar em grupo é fundamental e realizar uma atividade como a dança traz outros benefícios. Ela conta que a dança promove um espaço de diálogo entre as mulheres; favorece o vínculo com o bebê (que nem sempre é imediato, ao contrario da expectativa que se tem); contribui para que a mulher se empodere a partir da troca de experiências, no que se refere às decisões que toma sobre como maternar seu bebê; viabiliza um encontro com ela mesma, com momentos onde vai poder se cuidar, com auto-massagem, alongamento, e outros recursos que propiciarão que ela se sinta em casa neste corpo que muda tanto quanto suas emoções, desde que ela engravidou; possibilita que ela viva momentos felizes dançando com seu bebê, independente do contato que ela tenha ou não com a dança anteriormente; e ensina estratégias que ela vai poder usar em casa para cuidar dela mesma, acalmar o choro do bebê e fazê-lo dormir.

Isadora Canto, mãe, cantora, compositora e idealizadora do Projeto Acalanto também acredita que uma atividade artística pode contribuir para o vínculo entre mãe e filho recém-chegado ou ainda na barriga. No Projeto Acalanto, ela usa canções, composições e atividades musicais para construir a comunicação entre mãe e bebê desde a gestão.

Ligia de Sica, da Bebechila
“Desde o ventre, o bebê já começa a escutar sons do mundo exterior, por isso, ainda no útero já pode começar a ser acariciado com canções. Os benefícios para o bebê e para a mãe são inúmeros. Podemos citar como exemplos mais gerais o fortalecimento do vínculo afetivo, o elo entre mãe e filho, a fluidez na comunicação desde a barriga. Especificamente, podemos citar a entrada da mãe no universo infantil (muitas mães só tem contatos com seus bebês nos exames de ultrassonografia), o incentivo ao diálogo, a estimulação do imaginário materno com o contato com o mundo infantil”, afirma a artista em seu site.
Em um sentido - podemos dizer - mais "prático", relacionado às pequenas inseguranças do dia-a-dia, Ligia de Sica oferece apoio e conforto às mamães, por meio da Bebechila. "As mochilas, bolsas e acessórios da Bebechila tem como intenção dar conforto e segurança para as mães. Neste comecinho de vida materna, muitas mulheres não se sentem à vontade para sair com o bebê para passear. A ideia dos nossos produtos é ajudar a mãe no sentido de conduzi-la a um passeio com tranquilidade e segurança, já que certamente ela estará levando tudo que precisa para cuidar de seu bebê", explica Ligia. Os compartimentos e divisórias das malas e mochilas são pensados de acordo com cada ocasião de saída com os bebês, desde a maternidade até os passeios mais curtos, passando pelos momentos da alimentação e da higiene.

Ela explica como um produto como a Bebechila pode ajudar no vínculo entre a mãe e o bebê. "Quando a mãe se sente segura para sair, ela entende que seu filho não é apenas um pequeno ser que demanda atenção todo tempo, mas pode ser uma agradável companhia para passeios deliciosos. Além disso, livre de preocupações - como uma lista de coisas para lembrar toda vez que tem que sair - ela libera espaço emocional e energia para se dedicar mais ao filho. Além do que, na prática, a mochila libera as mãos e o corpo para ficarem disponíveis para o bebê que é o mais importante", afirma, acrescentando que, no caso da Bebechila, o conforto, o vínculo e o cuidado extrapolam o pós-parto e acompanham mães e filhos por bastante tempo.


Estes são alguns exemplos de mães empreendedoras que estão preocupadas com o bem-estar de outras mães e que fazem de sua sabedoria e seus aprendizados um trabalho para transformar a vida de outras mães.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Bate-papo comigo sobre a relação entre a amamentação e os sentimentos na SEMANA MUNDIAL DO ALEITAMENTO MATERNO (SMAM)





Dia 4/8, sábado, Espaço Nascente realiza slingada e fraldada com outras atividades gratuitas para bebês, mães, pais e famílias. No dia, serão arrecadados slings usados para doação.  


Há 20 anos, todos os anos, na primeira semana de agosto, é celebrada a Semana Mundial de Aleitamento materno. Este ano, a SMAM acontece de 1/8 a 7/8, celebrada em diversos lugares do mundo, por milhares de pessoas e instituições com o tema “É hora de agir depois de 10 anos de Estratégia Global (GS) e de 20 anos de SMAM!”.

O Espaço Nascente entende a importância de comemorar esta semana e vai realizar, no sábado, dia 4/8 uma série de atividades de promoção ao aleitamento. “O Espaço marca presença no calendário global e vai oferecer atividades gratuitas para mães, pais, bebês e crianças, todas relacionadas com a importância do aleitamento, que é nutrição, mas é também afeto e comunicação”, explica Andrea Santos, gestora do espaço, que é fonoaudióloga e especialista em aleitamento materno pelo International Board Certified Lactation Consultants.

A celebração acontece no dia previsto para a slingada, que é realizada no espaço sempre no primeiro fim de semana de cada mês. Esta tem um caráter social ligado à semana. “Faremos uma campanha para doação de slings usados e durante a semana, visitaremos um posto de saúde para conversar sobre amamentação com mães e gestantes”, explica Andrea.

Rosangela Alves, da Sampa Sling e promotora das Slingadas afirma que o evento será ainda mais especial. "É um prazer imenso realizar uma slingada especial para celebrar a SMAM. Slings e aleitamento têm tudo a ver! Os carregadores de bebês mantem as mães e os bebês amarradinhos, facilitando o vínculo tão necessário para uma boa amamentação. Além disso, existe uma questão prática, pois eles são ótimos facilitadores de colo e do aleitamento, com aconchego e discrição até para lugares públicos". Junto com a slingada, será também realizada a fraldada (fraldada.blogspot.com.br).

Massagem, música e florais

As atividades previstas vão desde vivências de shantala (massagem para bebês) a experiências musicais e palestras e bate-papos com especialistas. A programação foi pensada para que todas as atividades tenham alguma relação com o tema da amamentação. "Massagear nossos bebês nos mantém conectados, auxiliando em todos os aspectos de relacionamento entre mãe e bebê. Por isso, podemos dizer que o contato através da massagem também facilita a amamentação", explica Priscila Castanho, da Abraço Materno e colaboradora do espaço, responsável pela vivência de Santala que será oferecida no dia 4.

A psicóloga e especialista em pós-parto Cristina Toledano (cristoledano.blogspot.com) vai conduzir um bate-papo sobre a relação entre as emoções e o ato de amamentar. “A amamentação tem tudo a ver com o que sentimos. O que sentimos facilita, dificulta, ou até compromete a amamentação, mas muita gente não sabe disso. Seja nas primeiras semanas do bebê, seja com o bebê maior, identificar esses sentimentos ajuda a cuidar das dificuldades. Mas, identificar o que sentimos é um desafio...  No bate-papo faremos isso, em grupo, pois ouvir outras experiências é ver que não se está sozinha nesse barco!”, conta Cristina.

Cantar e amamentar também estão relacionados, como afirma Isadora Canto, do Projeto Acalanto, que promoverá uma vivência no sábado. "O Acalanto promove através da música o fortalecimento do vínculo afetivo e a fluidez na comunicação entre mãe e filho desde a barriga. A música é uma espécie de massagem para o bebê desde quando está dentro do ventre e também promove a entrada gradual da mãe no vasto e rico universo infantil. Por isso, podemos dizer cantar auxilia no processo de preparação para o aleitamento, quando mãe  e bebê devem estar totalmente conectados. E também é extremamente benéfico, por ser tranquilizante para ambos, durante o ato de amamentar", explica a cantora e compositora que criou uma canção para o ato de amamentar em seu CD Vida de Bebê.

Já Edsangela Holanda (http://teatroemusicaparabebes.blogspot.com.br/), responsável pela atividade musical com bebês do dia 4 afirma que a voz da mãe é especial. “Pesquisas revelam que o bebê ativa o hemisfério esquerdo do cérebro, responsável pelas habilidades motoras, quando escuta a voz materna, e o hemisfério direito também é ativado, na área do reconhecimento de voz. Ou seja: musicalização e amamentação é certeza de elo fortalecido!”, diz.

A fisioterapeuta, acupunturista e doula Laysa Duch vai conduzir uma oficina sobre florais. "Somos feitos de energia, sendo esta responsável por todo o funcionamento do nosso organismo, nosso bem estar depende disso. Mas para olhar dentro de si e encontrar nele a resposta que se procura, muitas vezes precisamos de uma ajudinha, todas as respostas estão dentro de nós e foi acreditando nisso que o Dr. Edward Bach criou os Florais de Bach essências de flores, que fazem "aflorar" nossos sentimentos, nos mostrando os caminhos a serem trabalhados, tranquilizando nossos medos e nos fortalecendo para a vida”, explica ela , falando também da atividade e da relação com a amamentação. “Quando falamos de amamentação, como não falarmos de emoções, estas que se não forem bem trabalhadas podem sim atrapalhar este momento único e mágico? Será sobre isso nosso bate papo: como as flores podem ajudar na amamentação? No final faremos uma essência floral para levarmos para casa”, explica.

Mais do que alimentar

O Espaço Nascente criou a programação especial deste sábado pensando nisso tudo e buscando dar um caráter concreto aos estudos que mostram as relações entre estas atividades e o aleitamento. O conceito fundamental é: amamentar é muito mais do que nutrir.  

Carlos Eduardo Corrêa, o Cacá, pediatra e coordenador geral do Espaço, aponta a importância de um lugar como o Nascente, preocupado com as questões do nascimento, do pós-parto e do bem viver em família, promover uma programação especial para comemorar a semana. "A amamentação é mais do que nutrição. É um processo de comunicação e afeto entre mãe e filho e também envolve o apoio paterno. Desde a primeira hora de vida, passando pelo o aleitamento exclusivo até os seis meses, pela amamentação em livre demanda, as adaptações para a volta ao trabalho da mãe e os processos de desmame, podemos dizer que o aleitamento diz muito sobre a relação da mãe com o filho e sobre uma família. Mais tarde, o olhar para a amamentação pode dizer muito sobre aquele ser humano. Portanto, nem preciso dizer que é algo fundamental não só para experiência física, mas também psíquica e emocional de mãe, filho e família", explica o pediatra.

O que: Programação especial SMAM 2012 do Espaço Nascente
Quando: dia 4/8, sábado, das 10h às 16h30.
Onde: Espaço Nascente. Rua Grajaú, 599. Próximo ao metrô Sumaré (SP).
Como: Gratuito e livre.
Informações: (11) 3672-6561 / (11) 2548-6383 ou por email: espaconascente@gmail.com / http://espaco-nascente.blogspot.com.br/
No Facebookhttp://www.facebook.com/events/334470589972299/

Confira a programação especial do Espaço Nascente para a celebração da SMAM 2012-07-18

10h30 - 11h30: Oficina de florais de bach com Laysa Duch
11h30 - 12h30: Bate papo “Sentimentos + Amamentação = Tudo a ver”, com a psicóloga Cris Toledano.
12h30 – 13h30: Bate-papo “Uso de fraldas de pano desde o nascimento” com Raquel Honig, da Fraldada.
13h30 - 14h30: Palestra “Prevenção odontológica em bebês: o que funciona”, com a odontopediatra Fernanda Molina.
14h30 - 15h30: Atividade musical para bebês e crianças, com Edi Holanda.
15h30 -16h30: Workshop de Shantala (massagem para bebês), com Priscila Castanho, da Abraço Materno.
16h – 17h: Acalanto: vivência musical para gestantes e mães com bebês no pós-parto, com Isadora Canto do Projeto Acalanto.
17h: Encerramento.

Leia mais sobre a semana no site Mama Mia Amamentar: http://mamamiaamamentar.wordpress.com/smam-2012/

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Texto extraído do site Cia Das Mães 

tradução do texto de LAURA GUTMAN para o Português de Natalia Salvo

Mães sozinhas 

LAURA GUTMAN

Somos muitas no mundo, as mães que criamos sozinhas nossos filhos, ou seja, sem conviver com mais ninguém além da criança. A maioria de nós a princípio não desejou esta situação, e frequentemente a assumimos sem saber muito bem como nos arranjaríamos. Pode ser que tenhamos engravidado estando em uma relação ocasional e, mesmo assim, sentimos que por algum motivo misterioso, esse ser tinha sido gerado e estávamos em condições de abrigá-lo, nutri-lo e levar adiante a gravidez e o parto. Ou de repente pode ter acontecido que a gravidez tenha sido planejada dentro de um relacionamento estável, mas o projeto de continuar juntos não seguiu adiante, e portanto assumimos continuar com a gravidez apesar da perda do homem amado, a dor ou o desamparo. Em muitas outras ocasiões, quem sabe sejam as mais frequentes, ocorre uma separação ou um divórcio com os filhos já nascidos. Pode acontecer do pai abandonar definitivamente a cria, por diversos motivos, e as mães não só assumam a criação, mas também a sobrevivência dos filhos, no sentido econômico da questão. A maioria das mulheres, ainda em situação de risco, de falta de dinheiro ou de maturidade emocional, ou mesmo na solidão, permanece com seus filhos.
Para abandonar uma criança, o desespero, o fato de nos sentir à beira de um abismo, a solidão extrema e o medo inundaram nossas vidas. Em compensação, se temos o mínimo de consciência de nossas capacidades de nutri-lo, se temos confiança em nós mesmas e principalmente, se recebemos de alguma forma apoio e acolhimento, permaneceremos com nosso filhos ainda que seja em condições muito desfavoráveis.
A solidão é, quiçá, o pior panorama para criar uma criança. No entanto, mais além de todas as dificuldades reais e muito concretas, ser uma “mãe sozinha” tem sim, algumas vantagens. A principal vantagem é que sabemos que estamos sozinhas. E os outros também sabem disso. O fato de que a solidão seja palpável e visível, nos permite pedir ajuda a quem estiver ao nosso redor com relativa facilidade. Este fato, que aparenta ser uma obviedade, não é quando estamos vivendo com alguém. Às vezes, o sentimento de solidão é imenso estando dentro de um casamento, mas nesses casos não é fácil reconhecê-lo, nem muito menos que o nosso entorno nos entenda como alguém sozinho e necessitado de receber companhia e apoio.
Quando criamos nossos filhos sozinhas, e além disso, quando trabalhamos porque somos as únicas proveedoras do dinheiro, não temos outra opção a não ser contar com os outros. Algumas mulheres recebemos apoio de nossas famílias, onde o apoio se constitui naturalmente: podem ser nossas mães ou nossos pais que estejam presentes, que ofereçam ajuda econômica ou inclusive, na sua função de avós, cuidem diretamente das crianças. Às vezes tem uma irmã que atua como um apoio, um grupo de amigas solidarias, ou uma rede laboral que equilibra a solidão e a resolução de problemas domésticos. Há circunstâncias onde não temos condições de pagar uma ajuda doméstica ou um berçário muitas horas por dia. Ou existe uma madrinha da criança que se compromete uma vez por semana a cuidar dele. O chefe no trabalho se torna especialmente solidário porque sabe que somos uma “mãe sozinha”. Nossas amigas se organizam os finais de semana, nos convidam a reuniões e preparam as comemorações de aniversário de nossos filhos. Longe disso ser uma situação ideal, mas resgatemos o fato de que a “solidão” é clara para todos, principalmente para nós mesmas. E dada esta clareza, podemos atuar logo na sequência.
Quase todas as pessoas se tornam solidárias com uma mãe sozinha que cria seus filhos, porque todos podemos imaginar o enorme esforço que isso demanda, além dos obstáculos que tem na vida cotidiana uma mãe que precisa cumprir a diversidade de papeis, e para que as crianças estejam bem cuidadas e bem atendidas. Essa solidariedade coletiva, é possivelmente, uma das principais vantagens. E se essa é a nossa realidade, vale a pena considerá-la.
Há também outras vantagens menores: quando o bebê é pequeno, as mães podem ter – se forem emocionalmente capazes – toda a disponibiidade afetiva para a criança. Isso porque não haverá demanda por parte do companheiro, de atenção para ele: nem de cuidados, nem ter que ouvi-lo, nem requerimentos domésticos. Ou seja, se formos capazes de nos fundir nas demandas e necessidades do outro, será completamente em benefício da criança pequena, em vez de nos dividir entre os pedidos de uns e outros. Este também não é um ponto menos importante – ainda que não estejamos acostumadas a falar abertamente sobre as ambivalências na hora de atender nosso companheiro – quando ele reclama atenção e carinho, enquanto o pequeno bebê aguarda sua vez. Este “esgotamento” que sentimos quando desejamos satisfazer as necessidades alheias, costuma ser frequente cuando estamos acompanhadas, e muito mais leve quando nos ocupamos ”somente” do bebê.
Outro fato que se dá muito mais naturalmente quando estamos sozinhas, é o se deixar fluir no contato corporal com a criança, principalmente à noite. Quando o cansaço nos aflige, quando somente queremos dormir e não temos mais forças, quando a criança chora pedindo contato e carinhos… e então não há ninguém para nos dizer o que é certo fazer, e o quê não se deve fazer. Não há ninguém para opinar a favor ou contra, ninguém para dar conselhos, ninguém para ajudar – mas ao mesmo tempo, ninguém para colocar-se no meio disso tudo. Simplesmente deitamos na cama com a criança em nossos braços, tentando dormir o quanto antes. Isso com a criança agarrada em nosso corpo e sem incomodar ninguém.
Parece uma obviedade, mas não é. A maioría de nós, mães que vivem acompanhadas e  querem tentar dormir de noite, trazem seus filhos para a cama e se deparam frequantemente com a negação do companheiro, seja por se sentir prejudicado, ou por medo, por incômodo ou por sentir que não é parte desse vínculo. No entanto, as mães sozinhas – em circunstâncias semelhantes – podem decidir unilateralmente a melhor maneira de atravessar as noites, que – isso todas nós sabemos – podem constituir a parte mais dura da criação de nossos filhos.
É lógico que estar sozinha na criação e na vida cotidiana não é maravilhoso. Todos precisamos de uma companhia, interação e diálogo. Ainda mais se estamos criando filhos pequenos. Por isso, se temos alguém, nos veremos na obrigação de imaginar outros tipos de apoio e ajudas, para que nossa experiência maternal seja o mais feliz possível, e para que as crianças recebam o amor e o acolhimento que merecem.
Pessoalmente, acredito que a melhor opção quando não há um companheiro ou alguém que dê apoio, é a rede de mulheres. Tenho certeza que fomos criados como espécie de mamíferos para viver em comunidade, e que ao longo da história constituímos tribos ou aldeias para compartilhar a vida. Hoje em dia os centros urbanos se converteram no pior sistema para criar as crianças, já que as mães estão cada vez mais sozinhas e isoladas, portanto as crianças têm poucas pessoas às quais recorrer em seus rituais cotidianos.
Precisamos reinventar um esquema antigo, mas com parâmetros modernos, sempre que  haja um conjunto de mulheres criando filhos. Não importa quantas, já que uma só mãe não consegue criar uma criança. Mas cinco mães juntas podem criar cem crianças. O segredo está no conjunto, na solidariedade, na companhia e no apoio mútuo. Nenhuma mulher deveria passar os dias sozinha, com uma criança nos braços. A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não julgadas, nem criticadas, nem aconselhadas. Simplesmente junto de outras pessoas, e na medida do possível, junto de outras mulheres que estejam experimentando o mesmo momento vital. Quando as mulheres estão trocando conversas, brincadeiras, choros ou lembranças com outras mães, resulta muito mais leve permanecer com nossos filhos. No entanto, se estamos sozinhas, acreditamos que não somos capazes, e supomos que deveríamos deixar as crianças aos cuidados de outras pessoas para poder “ocupar-nos de nós mesmas”. Frequentemente não percebemos que o problema está na solidão de permanecer junto à criança. Não em nossa incapacidade de amá-los. Por isso, insisto: é responsabilidade das mulheres reconhecer que precisamos voltar a nos reunir, que se funcionamos coletivamente e dentro de círculos femininos, a maternidade pode resultar em algo muito mais suave e doce. E que uma “mãe sozinha” é aquela que não é compreendida, apoiada, nem incentivada, ainda que ela conviva com muitas pessoas. E “mãe acompanhada” pode ser uma mulher que não tenha alguém a seu lado, mas que, no entanto, conte com o aval de sua comunidade.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Espaço Nascente - Apoio no pós parto

LINKS:
http://www.podcultura.com.br/sao-paulo-ganha-espaco-de-atencao-a-mulher-e-as-familias-apos-o-parto.108.5145

http://www.plenamulher.com.br/dicas.asp?ID_DICAS=3138

Saúde
São Paulo ganha espaço de atenção à mulher e às famílias após o parto  

Proposta é acolher, informar e oferecer cuidados para a mãe, o pai e o bebê com atividades gratuitas

No próximo dia 31 de março, será inaugurado na zona Oeste de São Paulo o Espaço Nascente. A casa, que fica no bairro do Sumaré, tem como missão acolher mães, pais, bebês, cuidadores e famílias em um momento muito delicado: o pós-parto ou puerpério. Na data, a partir das 10h, serão realizadas atividades gratuitas para toda a família.

“As famílias tem uma cultura de planejar bastante o parto, pensando em cada mínimo detalhe, mas não se preparam da mesma forma para o puerpério, que é um momento extremamente delicado, em que estão nascendo novas vidas, com a chegada do bebê. Este é um momento de avassaladoras transformações, e,m que a mulher mãe, o homem pai e o bebê precisam de toda atenção e cuidado”, explica o Dr Carlos Corrêa, o Cacá, coordenador do espaço.

O Espaço nascente oferece atividades gratuitas de atendimento à família, como rodas de conversa sobre amamentação e pós-parto, que acontecem semanalmente. Além disso, promove cursos, como o de massagem para bebês e encontros gratuitos de promoção ao uso dos carregadores de bebês (slings) e fraldas de pano. Também dispõe de atendimentos pagos, como consultoria em amamentação, alimentação para bebês e crianças. Também podem ser agendados atendimentos de massagem e fisioterapia.

Inauguração

Uma festa no dia 31 vai marcar a inauguração do espaço. Serão promovidas atividades gratuitas durante todo o dia para gestantes, mães, pais, bebês e cuidadores.

Entre as atividades, estão, grupos de bate-papo, conversas com especialistas, cursos de massagem, yoga para gestantes e bebês, atendimentos sobre amamentação e alimentação saudável. Também haverá oficinas de mandala e contação de histórias para as crianças e um ateliê sensorial, em que os pais são convidados a entrar no mundo dos sentidos dos bebês.

Confira abaixo a programação completa do dia 31

Sobre o Espaço Nascente

O Espaço Nascente é um ambiente de acolhimento e reflexão.

Acreditamos que, com uma criança, nascem novas vidas: nascem mães, pais, avós, tios, nasce uma família. E a chegada destas novas vidas provoca grandes transformações.

Nosso objetivo é dar atenção a todos e oferecer acolhimento neste momento tão fundamental, promovendo reflexões e atividades para a mente e para o corpo.

Nossa missão é informar, acolher e compreender cuidadores de bebês e crianças, promovendo a infância, a maternidade, a paternidade e o cuidado de forma divertida e prazerosa.

Nossos públicos são bebês, crianças e adolescentes; pais e mães; pessoas planejando a maternidade e/ou a adoção, gestantes e acompanhantes, doulas e profissionais da área da saúde, avós, babás e cuidadores.

Nossa equipe é formada por profissionais de diversas áreas, com perfis complementares, que garantem a multidimensionalidade das nossas atividades.

Todos compartilham de valores fundamentais, nos quais estão centradas as nossas ações: o cuidado, a confiança, o amor, a inovação, o respeito, a qualidade, a compreensão, a sensibilidade, a criatividade e a diversidade.

Serviço
Inauguração do Espaço Nascente: atividades gratuitas para toda a família
Dia 31/03/2012, das 10h às 18h
Rua Grajaú, 599 - Próximo ao metrô Sumaré - São Paulo
Informações: http://espaco-nascente.blogspot.com/
No Facebook: http://www.facebook.com/espaconascente

PROGRAMAÇÃO

* Não é necessária prévia inscrição.
* Recomendamos que se chegue ao local com 20 minutos de antecedência em relação ao horário da atividade de que deseja participar.

Horário
 Atividade

Durante todo o dia
 Slingada, com Rosangela Alves, da Sampa Sling.
Fraldada (fraldas de pano), com Raquel Honig.
Plantão de dúvidas e questões sobre o pós-parto (individual ou casal), com Cris Toledano, psicóloga.
Massagens, com Priscila Castanho, da Abraço Materno.
Barriga de gesso, com Mariana Lettis.


 

10h
 Oficina corporal para gestantes: Corpo, emoções e parto, com Luciana Carvalho, da Maternidade Orgânica (sala verde).

10h30
 Conversa com o especialista: A amamentação nas primeiras horas de vida, com Andrea Santos, fonoaudióloga (sala sol).

11h
 Workshop de Shantala  -  Vivência para pais , com Priscila Castanho (sala água).

11h
 Encontro de pais no pós-parto, com Cris Toledano, psicóloga.

11h30
 Oficina de ervas e aromas e banho de balde, com Sabrina Jeha, Herborista do Viveiro Orgânico Sabor da Fazenda e consultora em fitoterapia (sala sol).

12h
 Conversando com a doula, com Mariana Lettis, doula (sala verde).

13h
 Encontro Materna Sola (sobre a maternidade autônoma), com Cris Toledano  e Mariana Lettis (sala verde).

13h
 Papo de Pais, com os pais Nilton, Fred e Sérgio (sala sol).

14h
 Workshop de Baby Yoga, com Viviane Cabral, Professora de Hatha Yoga (sala sol).

14h30
 Conversa com o especialista: Alimentação natureba , com Fabíolla Duarte (sala verde).

15h
 Conversa com o especialista: alimentação infantil, com Dani Pane, nutricionista (sala verde).

15h30
 Atelie sensorial, com Dr. Carlos Corrêa, o Cacá, pediatra (quintal)

16h
 Oficina de Mandala, com Ana Bach (sala sol ou quintal)

16h30
 Contação de história, com Elenira Peixoto, atriz e contadora de histórias (sala sol).

17h
 Musicalização, com Danielle Carvalho, instrumentista (sala sol).

17h30
 Dança Materna, com Tatiana Tardiolli (quintal ou sala sol).

18h
 Encerramento: sorteio de brindes e confraternização.



Portal Podcultura


Pauta
Carla Manga


Colaborador de pautas
Larissa Yamatogue


Marketing e Publicidade
Carol Queiroz


Editor Chefe
Sandra Camillo


Matéria no site Natura Mãe Bebê - Mães na internet e grupo de pós parto

Link:
http://bebe.abril.com.br/canais/mamae-e-bebe/ajuda-necessaria-reportagem.shtml

Ajuda necessária
Com uma mãozinha das mulheres da sua vida - e também da internet - vai ficar bem mais fácil lidar com um bebê pequeno em casa
Foto: Divulgação
Nos tempos de nossas mães, as mulheres contavam com uma ampla e eficiente rede feminina de apoio para lidar com o bebê logo após o parto: era uma legião de avós, tias, cunhadas e irmãs mais velhas que podiam oferecer ajuda, ficar com o pequeno por uns tempos e orientar com as dificuldades que surgiam no dia a dia. Hoje a configuração da família mudou bastante. Os núcleos familiares ficaram mais enxutos e a ala feminina da maioria deles está no mercado de trabalho. Sem contar que, muitas vezes, a mulher dispensa reforços de parentes ou amigos porque colocaram na nossa cabeça que o gênero feminino tem que ser capaz de dar conta de tudo, a qualquer custo.
Mas a verdade é que toda ajuda é bem-vinda quando se tem um bebê para cuidar e ninguém tem que se achar menos mulher porque pediu para a sogra ficar algumas horas com o filho. "Na maioria das vezes, acaba tudo nas mãos do casal. Como depois de alguns dias o homem volta ao trabalho, a mãe fica numa situação de grande solidão a maior parte do tempo", constata Cristina Toledano, psicóloga que coordena um grupo de apoio a mulheres no pós-parto em São Paulo. Mesmo com a ajuda profissional de uma babá ou empregada, fica a sensação de não ter com quem dividir tantas angústias, todas as dúvidas sobre aquele momento tão transformador da vida. "Por isso, fazer parte de um grupo de mães na mesma situação pode ser tão interessante. Ao compartilhar suas emoções com outras mulheres, não fica mais aquele sentimento sem nome pairando no ar", ressalta Cristina. "E há também o aspecto social, o sair de casa e se reintegrar a uma atividade prazerosa. Quando tive meu filho, hoje com 4 anos, eu sentia tanta vontade de estar com outras pessoas que voltei a frequentar o grupo de grávidas do qual fazia parte durante a gestação. Era até engraçado estar lá com meu bebê nos braços, mas na época não existia nenhum grupo de apoio a mulheres no pós-parto. Algum tempo depois, acabei sendo convidada para coordenar um", lembra.
Trocas virtuais
Quando não é possível fazer parte de um grupo de "carne e osso", dá para recorrer às inúmeras redes virtuais formadas por mães e para mães. São mulheres que trocam todo tipo de experiência sobre maternidade através de blogs e formam uma espécie de irmandade, como a Rede Mulher e Mãe. "Esse movimento é maravilhoso. Mesmo quando não há a mediação de um profissional, só o fato de existir troca já é um alento", observa Cristina.
Portanto, sempre que sobrar um tempinho entre uma mamada e outra, vá até o computador e dê uma espiada no que outras mães como você andam vivendo e relatando. O melhor de tudo é que em muitos grupos as mulheres acabam combinando encontros reais, enriquecendo a vida social de todas elas.
E, claro, não deixe de solicitar ajuda quando achar necessário. Muitas vezes as vovós, tias ou madrinhas estão só esperando um telefonema para poder dar uma força. Mesmo que sua família não seja tão numerosa como as de antigamente, com certeza haverá alguém para passar algumas horinhas com seu filhote enquanto você arruma um tempo para cuidar de si.


Mais ajuda
O grupo de apoio às mulheres no pós-parto coordenado pela psicóloga Cristiana Toledano se reúne toda segunda-feira, das 14h às 16h, no Espaço Nascente, em São Paulo. A participação é gratuita. Mais informações em http://cristoledano.blogspot.com/.
A Casa Moara, na zona sul da capital paulista, também conta com um grupo de apoio ao pós-parto. A participação é gratuita. Mais informações em http://casamoara.com.br/.

Matéria na 2a edição da revista Ana Maria Braga - Tem solução?


Minha contribuição para a matéria da jornalista Cintia Dalpino A Nova Mãe na 2a edição da revista ANA MARIA BRAGA

 Tem solução?

10 dicas de como amenizar o sofrimento que as mães sentem quando deixam seus filhos para irem trabalhar, e para aquelas que largam o emprego para ficarem com os filhos.


1-    É importante que a mulher possa se permitir viver esta confusão de sentimentos neste momento. As duas dimensões, a do trabalho e a da maternidade são importantes, e por isso merecem atenção. Só assim é possível a ela ir identificando o que é fundamental dentro do seu contexto de valores e da vida prática e ir fazendo as escolhas desejáveis e possíveis.

2-    Atentar para as idealizações do que é ser uma “boa mae”, e uma “boa profissional” que podem estar presentes. Estes ideais raramente condizem com a experiência real da mulher neste momento de sua vida. Eles são ruins porque podem impedir ou dificultar que as mulheres façam escolhas próprias e criativas, geram culpas paralizantes e/ou nocivas (porque a mulher não consegue nunca atingir este ideal e se sente sempre em dívida consigo mesma, com o filh@, e com os outros). Eu sempre digo para as mulheres que acompanho nos grupos e no consultório: Nossos filhos não querem mães ideais, querem mães reais. Eles terão isso como referência na vida deles também.

3-    Pode fazer parte do processo a experimentação. As vezes um lado precisará ser privilegiado, para ser conhecido. Entendo isso como uma forma da mulher ir, através da experiência, ir dando consistência a este debate interno, e a partir da experiência concreta, e não de uma racionalização, encontrar um equilíbrio.

4-    Ter clareza dos seus limites, e assumi-los. Nem tudo vai poder ser cuidado e executado a perfeição. Buscar ter essa clareza, ajuda a mulher baixar a ansiedade e a culpa. Se forem coisas importantes mas que ainda assim são difíceis de sustentar, peça ajuda. A gente não tem que dar conta de tudo, e isso é bom!


5-    Não desconsiderar a culpa, mas cuidar para que ela não paralise ou que se arraste. A culpa é um sinalizador do que é importante de ser cuidado por nós. Neste sentido, ela pode ser nossa aliada, ao ser a força motriz que nos leva `as mudanças necessárias para que possamos levar uma vida mais plena de sentido. A culpa que paralisa ou que se arrasta é fruto de idealizações e  da dificuldade em reconhecer os próprios limites.

6-    Trabalhar é cuidar, e cuidar é trabalhar. Muitas vezes a mulher e as pessoas ao seu redor fazem esta dissociação entre uma coisa e outra. É importante lembrar que, além da questão financeira que vai permitir o sustento da criança, trabalhar pode ser realizador pra mulher. Nessa hora a máxima “mãe feliz, bebê feliz” faz todo sentido. Para as mães que escolhem ficar em casa com os filhos, cuidar de uma criança não é tirar férias, exige muita dedicação, e portanto é trabalhoso. Lembrar que uma babá é paga para fazer o mesmo.

7-    Qualidade vs quantidade. Quantidade não necessariamente equivale a qualidade! Não são a quantidade de horas com o bebê, ou de volume de trabalho, que determinam a qualidade da relação ou da realização. As vezes, menos horas mais bem vividas e com menos volume de trabalho, podem ser mais produtivos e mais significativos.

8-    Organizar e expressar. Esta é uma dica mais prática: Se estiver difícil fazer uma escolha entre as duas possibilidades, uma listinha mental ou escrita de prós e contras de cada um pode ajudar bastante nesta reflexão. Falar sobre isso com outras pessoas e ouvir outras experiências pode ser, além de reconfortante, uma boa troca de idéias.

9-    Se preservar das opiniões alheias pouco construtivas. O anúncio de uma possível mudança na vida deixa não só nós mesmos inseguros, mas as pessoas ao nosso redor também. Pessoas próximas ou os “palpiteiros” podem deixar este processo de escolha pessoal mais sofrido e difícil, portanto, compatilhe com quem possa te ajudar.

10- Não perder a esperança! Tem saída sim para esta dúvida cruel! Quanto mais atenção a mulher puder dar a este conflito, mais consistente será sua resolução.

 Cristina Toledano