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terça-feira, 24 de julho de 2012

Bate-papo comigo sobre a relação entre a amamentação e os sentimentos na SEMANA MUNDIAL DO ALEITAMENTO MATERNO (SMAM)





Dia 4/8, sábado, Espaço Nascente realiza slingada e fraldada com outras atividades gratuitas para bebês, mães, pais e famílias. No dia, serão arrecadados slings usados para doação.  


Há 20 anos, todos os anos, na primeira semana de agosto, é celebrada a Semana Mundial de Aleitamento materno. Este ano, a SMAM acontece de 1/8 a 7/8, celebrada em diversos lugares do mundo, por milhares de pessoas e instituições com o tema “É hora de agir depois de 10 anos de Estratégia Global (GS) e de 20 anos de SMAM!”.

O Espaço Nascente entende a importância de comemorar esta semana e vai realizar, no sábado, dia 4/8 uma série de atividades de promoção ao aleitamento. “O Espaço marca presença no calendário global e vai oferecer atividades gratuitas para mães, pais, bebês e crianças, todas relacionadas com a importância do aleitamento, que é nutrição, mas é também afeto e comunicação”, explica Andrea Santos, gestora do espaço, que é fonoaudióloga e especialista em aleitamento materno pelo International Board Certified Lactation Consultants.

A celebração acontece no dia previsto para a slingada, que é realizada no espaço sempre no primeiro fim de semana de cada mês. Esta tem um caráter social ligado à semana. “Faremos uma campanha para doação de slings usados e durante a semana, visitaremos um posto de saúde para conversar sobre amamentação com mães e gestantes”, explica Andrea.

Rosangela Alves, da Sampa Sling e promotora das Slingadas afirma que o evento será ainda mais especial. "É um prazer imenso realizar uma slingada especial para celebrar a SMAM. Slings e aleitamento têm tudo a ver! Os carregadores de bebês mantem as mães e os bebês amarradinhos, facilitando o vínculo tão necessário para uma boa amamentação. Além disso, existe uma questão prática, pois eles são ótimos facilitadores de colo e do aleitamento, com aconchego e discrição até para lugares públicos". Junto com a slingada, será também realizada a fraldada (fraldada.blogspot.com.br).

Massagem, música e florais

As atividades previstas vão desde vivências de shantala (massagem para bebês) a experiências musicais e palestras e bate-papos com especialistas. A programação foi pensada para que todas as atividades tenham alguma relação com o tema da amamentação. "Massagear nossos bebês nos mantém conectados, auxiliando em todos os aspectos de relacionamento entre mãe e bebê. Por isso, podemos dizer que o contato através da massagem também facilita a amamentação", explica Priscila Castanho, da Abraço Materno e colaboradora do espaço, responsável pela vivência de Santala que será oferecida no dia 4.

A psicóloga e especialista em pós-parto Cristina Toledano (cristoledano.blogspot.com) vai conduzir um bate-papo sobre a relação entre as emoções e o ato de amamentar. “A amamentação tem tudo a ver com o que sentimos. O que sentimos facilita, dificulta, ou até compromete a amamentação, mas muita gente não sabe disso. Seja nas primeiras semanas do bebê, seja com o bebê maior, identificar esses sentimentos ajuda a cuidar das dificuldades. Mas, identificar o que sentimos é um desafio...  No bate-papo faremos isso, em grupo, pois ouvir outras experiências é ver que não se está sozinha nesse barco!”, conta Cristina.

Cantar e amamentar também estão relacionados, como afirma Isadora Canto, do Projeto Acalanto, que promoverá uma vivência no sábado. "O Acalanto promove através da música o fortalecimento do vínculo afetivo e a fluidez na comunicação entre mãe e filho desde a barriga. A música é uma espécie de massagem para o bebê desde quando está dentro do ventre e também promove a entrada gradual da mãe no vasto e rico universo infantil. Por isso, podemos dizer cantar auxilia no processo de preparação para o aleitamento, quando mãe  e bebê devem estar totalmente conectados. E também é extremamente benéfico, por ser tranquilizante para ambos, durante o ato de amamentar", explica a cantora e compositora que criou uma canção para o ato de amamentar em seu CD Vida de Bebê.

Já Edsangela Holanda (http://teatroemusicaparabebes.blogspot.com.br/), responsável pela atividade musical com bebês do dia 4 afirma que a voz da mãe é especial. “Pesquisas revelam que o bebê ativa o hemisfério esquerdo do cérebro, responsável pelas habilidades motoras, quando escuta a voz materna, e o hemisfério direito também é ativado, na área do reconhecimento de voz. Ou seja: musicalização e amamentação é certeza de elo fortalecido!”, diz.

A fisioterapeuta, acupunturista e doula Laysa Duch vai conduzir uma oficina sobre florais. "Somos feitos de energia, sendo esta responsável por todo o funcionamento do nosso organismo, nosso bem estar depende disso. Mas para olhar dentro de si e encontrar nele a resposta que se procura, muitas vezes precisamos de uma ajudinha, todas as respostas estão dentro de nós e foi acreditando nisso que o Dr. Edward Bach criou os Florais de Bach essências de flores, que fazem "aflorar" nossos sentimentos, nos mostrando os caminhos a serem trabalhados, tranquilizando nossos medos e nos fortalecendo para a vida”, explica ela , falando também da atividade e da relação com a amamentação. “Quando falamos de amamentação, como não falarmos de emoções, estas que se não forem bem trabalhadas podem sim atrapalhar este momento único e mágico? Será sobre isso nosso bate papo: como as flores podem ajudar na amamentação? No final faremos uma essência floral para levarmos para casa”, explica.

Mais do que alimentar

O Espaço Nascente criou a programação especial deste sábado pensando nisso tudo e buscando dar um caráter concreto aos estudos que mostram as relações entre estas atividades e o aleitamento. O conceito fundamental é: amamentar é muito mais do que nutrir.  

Carlos Eduardo Corrêa, o Cacá, pediatra e coordenador geral do Espaço, aponta a importância de um lugar como o Nascente, preocupado com as questões do nascimento, do pós-parto e do bem viver em família, promover uma programação especial para comemorar a semana. "A amamentação é mais do que nutrição. É um processo de comunicação e afeto entre mãe e filho e também envolve o apoio paterno. Desde a primeira hora de vida, passando pelo o aleitamento exclusivo até os seis meses, pela amamentação em livre demanda, as adaptações para a volta ao trabalho da mãe e os processos de desmame, podemos dizer que o aleitamento diz muito sobre a relação da mãe com o filho e sobre uma família. Mais tarde, o olhar para a amamentação pode dizer muito sobre aquele ser humano. Portanto, nem preciso dizer que é algo fundamental não só para experiência física, mas também psíquica e emocional de mãe, filho e família", explica o pediatra.

O que: Programação especial SMAM 2012 do Espaço Nascente
Quando: dia 4/8, sábado, das 10h às 16h30.
Onde: Espaço Nascente. Rua Grajaú, 599. Próximo ao metrô Sumaré (SP).
Como: Gratuito e livre.
Informações: (11) 3672-6561 / (11) 2548-6383 ou por email: espaconascente@gmail.com / http://espaco-nascente.blogspot.com.br/
No Facebookhttp://www.facebook.com/events/334470589972299/

Confira a programação especial do Espaço Nascente para a celebração da SMAM 2012-07-18

10h30 - 11h30: Oficina de florais de bach com Laysa Duch
11h30 - 12h30: Bate papo “Sentimentos + Amamentação = Tudo a ver”, com a psicóloga Cris Toledano.
12h30 – 13h30: Bate-papo “Uso de fraldas de pano desde o nascimento” com Raquel Honig, da Fraldada.
13h30 - 14h30: Palestra “Prevenção odontológica em bebês: o que funciona”, com a odontopediatra Fernanda Molina.
14h30 - 15h30: Atividade musical para bebês e crianças, com Edi Holanda.
15h30 -16h30: Workshop de Shantala (massagem para bebês), com Priscila Castanho, da Abraço Materno.
16h – 17h: Acalanto: vivência musical para gestantes e mães com bebês no pós-parto, com Isadora Canto do Projeto Acalanto.
17h: Encerramento.

Leia mais sobre a semana no site Mama Mia Amamentar: http://mamamiaamamentar.wordpress.com/smam-2012/

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Texto extraído do site Cia Das Mães 

tradução do texto de LAURA GUTMAN para o Português de Natalia Salvo

Mães sozinhas 

LAURA GUTMAN

Somos muitas no mundo, as mães que criamos sozinhas nossos filhos, ou seja, sem conviver com mais ninguém além da criança. A maioria de nós a princípio não desejou esta situação, e frequentemente a assumimos sem saber muito bem como nos arranjaríamos. Pode ser que tenhamos engravidado estando em uma relação ocasional e, mesmo assim, sentimos que por algum motivo misterioso, esse ser tinha sido gerado e estávamos em condições de abrigá-lo, nutri-lo e levar adiante a gravidez e o parto. Ou de repente pode ter acontecido que a gravidez tenha sido planejada dentro de um relacionamento estável, mas o projeto de continuar juntos não seguiu adiante, e portanto assumimos continuar com a gravidez apesar da perda do homem amado, a dor ou o desamparo. Em muitas outras ocasiões, quem sabe sejam as mais frequentes, ocorre uma separação ou um divórcio com os filhos já nascidos. Pode acontecer do pai abandonar definitivamente a cria, por diversos motivos, e as mães não só assumam a criação, mas também a sobrevivência dos filhos, no sentido econômico da questão. A maioria das mulheres, ainda em situação de risco, de falta de dinheiro ou de maturidade emocional, ou mesmo na solidão, permanece com seus filhos.
Para abandonar uma criança, o desespero, o fato de nos sentir à beira de um abismo, a solidão extrema e o medo inundaram nossas vidas. Em compensação, se temos o mínimo de consciência de nossas capacidades de nutri-lo, se temos confiança em nós mesmas e principalmente, se recebemos de alguma forma apoio e acolhimento, permaneceremos com nosso filhos ainda que seja em condições muito desfavoráveis.
A solidão é, quiçá, o pior panorama para criar uma criança. No entanto, mais além de todas as dificuldades reais e muito concretas, ser uma “mãe sozinha” tem sim, algumas vantagens. A principal vantagem é que sabemos que estamos sozinhas. E os outros também sabem disso. O fato de que a solidão seja palpável e visível, nos permite pedir ajuda a quem estiver ao nosso redor com relativa facilidade. Este fato, que aparenta ser uma obviedade, não é quando estamos vivendo com alguém. Às vezes, o sentimento de solidão é imenso estando dentro de um casamento, mas nesses casos não é fácil reconhecê-lo, nem muito menos que o nosso entorno nos entenda como alguém sozinho e necessitado de receber companhia e apoio.
Quando criamos nossos filhos sozinhas, e além disso, quando trabalhamos porque somos as únicas proveedoras do dinheiro, não temos outra opção a não ser contar com os outros. Algumas mulheres recebemos apoio de nossas famílias, onde o apoio se constitui naturalmente: podem ser nossas mães ou nossos pais que estejam presentes, que ofereçam ajuda econômica ou inclusive, na sua função de avós, cuidem diretamente das crianças. Às vezes tem uma irmã que atua como um apoio, um grupo de amigas solidarias, ou uma rede laboral que equilibra a solidão e a resolução de problemas domésticos. Há circunstâncias onde não temos condições de pagar uma ajuda doméstica ou um berçário muitas horas por dia. Ou existe uma madrinha da criança que se compromete uma vez por semana a cuidar dele. O chefe no trabalho se torna especialmente solidário porque sabe que somos uma “mãe sozinha”. Nossas amigas se organizam os finais de semana, nos convidam a reuniões e preparam as comemorações de aniversário de nossos filhos. Longe disso ser uma situação ideal, mas resgatemos o fato de que a “solidão” é clara para todos, principalmente para nós mesmas. E dada esta clareza, podemos atuar logo na sequência.
Quase todas as pessoas se tornam solidárias com uma mãe sozinha que cria seus filhos, porque todos podemos imaginar o enorme esforço que isso demanda, além dos obstáculos que tem na vida cotidiana uma mãe que precisa cumprir a diversidade de papeis, e para que as crianças estejam bem cuidadas e bem atendidas. Essa solidariedade coletiva, é possivelmente, uma das principais vantagens. E se essa é a nossa realidade, vale a pena considerá-la.
Há também outras vantagens menores: quando o bebê é pequeno, as mães podem ter – se forem emocionalmente capazes – toda a disponibiidade afetiva para a criança. Isso porque não haverá demanda por parte do companheiro, de atenção para ele: nem de cuidados, nem ter que ouvi-lo, nem requerimentos domésticos. Ou seja, se formos capazes de nos fundir nas demandas e necessidades do outro, será completamente em benefício da criança pequena, em vez de nos dividir entre os pedidos de uns e outros. Este também não é um ponto menos importante – ainda que não estejamos acostumadas a falar abertamente sobre as ambivalências na hora de atender nosso companheiro – quando ele reclama atenção e carinho, enquanto o pequeno bebê aguarda sua vez. Este “esgotamento” que sentimos quando desejamos satisfazer as necessidades alheias, costuma ser frequente cuando estamos acompanhadas, e muito mais leve quando nos ocupamos ”somente” do bebê.
Outro fato que se dá muito mais naturalmente quando estamos sozinhas, é o se deixar fluir no contato corporal com a criança, principalmente à noite. Quando o cansaço nos aflige, quando somente queremos dormir e não temos mais forças, quando a criança chora pedindo contato e carinhos… e então não há ninguém para nos dizer o que é certo fazer, e o quê não se deve fazer. Não há ninguém para opinar a favor ou contra, ninguém para dar conselhos, ninguém para ajudar – mas ao mesmo tempo, ninguém para colocar-se no meio disso tudo. Simplesmente deitamos na cama com a criança em nossos braços, tentando dormir o quanto antes. Isso com a criança agarrada em nosso corpo e sem incomodar ninguém.
Parece uma obviedade, mas não é. A maioría de nós, mães que vivem acompanhadas e  querem tentar dormir de noite, trazem seus filhos para a cama e se deparam frequantemente com a negação do companheiro, seja por se sentir prejudicado, ou por medo, por incômodo ou por sentir que não é parte desse vínculo. No entanto, as mães sozinhas – em circunstâncias semelhantes – podem decidir unilateralmente a melhor maneira de atravessar as noites, que – isso todas nós sabemos – podem constituir a parte mais dura da criação de nossos filhos.
É lógico que estar sozinha na criação e na vida cotidiana não é maravilhoso. Todos precisamos de uma companhia, interação e diálogo. Ainda mais se estamos criando filhos pequenos. Por isso, se temos alguém, nos veremos na obrigação de imaginar outros tipos de apoio e ajudas, para que nossa experiência maternal seja o mais feliz possível, e para que as crianças recebam o amor e o acolhimento que merecem.
Pessoalmente, acredito que a melhor opção quando não há um companheiro ou alguém que dê apoio, é a rede de mulheres. Tenho certeza que fomos criados como espécie de mamíferos para viver em comunidade, e que ao longo da história constituímos tribos ou aldeias para compartilhar a vida. Hoje em dia os centros urbanos se converteram no pior sistema para criar as crianças, já que as mães estão cada vez mais sozinhas e isoladas, portanto as crianças têm poucas pessoas às quais recorrer em seus rituais cotidianos.
Precisamos reinventar um esquema antigo, mas com parâmetros modernos, sempre que  haja um conjunto de mulheres criando filhos. Não importa quantas, já que uma só mãe não consegue criar uma criança. Mas cinco mães juntas podem criar cem crianças. O segredo está no conjunto, na solidariedade, na companhia e no apoio mútuo. Nenhuma mulher deveria passar os dias sozinha, com uma criança nos braços. A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não julgadas, nem criticadas, nem aconselhadas. Simplesmente junto de outras pessoas, e na medida do possível, junto de outras mulheres que estejam experimentando o mesmo momento vital. Quando as mulheres estão trocando conversas, brincadeiras, choros ou lembranças com outras mães, resulta muito mais leve permanecer com nossos filhos. No entanto, se estamos sozinhas, acreditamos que não somos capazes, e supomos que deveríamos deixar as crianças aos cuidados de outras pessoas para poder “ocupar-nos de nós mesmas”. Frequentemente não percebemos que o problema está na solidão de permanecer junto à criança. Não em nossa incapacidade de amá-los. Por isso, insisto: é responsabilidade das mulheres reconhecer que precisamos voltar a nos reunir, que se funcionamos coletivamente e dentro de círculos femininos, a maternidade pode resultar em algo muito mais suave e doce. E que uma “mãe sozinha” é aquela que não é compreendida, apoiada, nem incentivada, ainda que ela conviva com muitas pessoas. E “mãe acompanhada” pode ser uma mulher que não tenha alguém a seu lado, mas que, no entanto, conte com o aval de sua comunidade.